As forças federais de segurança prenderam na tarde desta terça-feira o presidente da Associação dos Policiais Militares da Bahia (Aspol), sargento Elias Alves de Santana. As tropas estão no Estado a pedido do governador Jaques Wagner (PT) para garantir a ordem durante a greve da Polícia Militar.
O sargento Elias foi detido na localidade na Jauá, na região metropolitana de Salvador. Ele é um dos 12 nomes com mandado de prisão expedido pela Justiça Federal devido à paralisação. Um dos líderes do movimento grevista, o PM foi levado para o Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer) da Bahia, situado no Aeroporto de Salvador.
Da relação de grevistas procurados pela força nacional, além de Elias, o soldado Alvin dos Santos Silva, lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (Coppa), já havia sido detido no início da greve.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana.
O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.