"Oi, amor", foram as únicas palavras que Fábio conseguiu dizer à sua noiva, Tatiana, em uma curta chamada telefônica das ruínas de um dos três prédios comerciais que desabou no centro do Rio de Janeiro, o que mantém acesas as esperanças de seus familiares de encontrá-lo vivo.
"Ele estava no prédio e às 3h chegou a falar com sua noiva por debaixo dos escombros. Ele disse "oi, amor" e a chamada foi cortada. É uma esperança", contou Francisco Adir, 58 anos, pai de um amigo de Fábio.
Tatiana ficou sem palavras e, chorando, se jogou nos braços de uma amiga. Enquanto isso, continua a longa espera por notícias das equipes de resgate, que já encontraram cinco corpos.
Pelo menos 12 pessoas estão desaparecidas. Os trabalhos de busca com máquinas pesadas são realizados de maneira ininterrupta desde a noite de quarta-feira, quando três construções de 20, 10 e quatro andares desabaram por motivos ainda desconhecidos. Os prédios estavam localizados próximos à Cinelândia, no centro histórico da cidade, onde também está o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No local, familiares aguardavam notícias de seus desaparecidos. Alguns, desconsolados, foram ao Instituto Médico Legal (IML).
É o caso de Sandra Ribeiro Lopes. Seu pai trabalhava como porteiro no edifício de 20 andares e tudo indica que está entre as vítimas. "Encontraram o celular do meu pai no bolso de um dos corpos encontrados. Agora vou para o IML para fazer o reconhecimento", disse Sandra.