Editor Responsável - Wilson de Carvalho
Cassilândia: tesoureira diz que prefeito assinava vales
Quinta-feira, dia 21 de Junho de 2007 às 18:10hs


A ex-tesoureira da prefeitura de Cassilândia, Luceni Quintino Correa, admitiu nesta quinta-feira (21 de junho) o uso de notas frias dentro do setor por ela controlado na administração municipal.

A fala foi proferida durante depoimento à comissão processante da Câmara dos Vereadores de Cassilândia, que apura a participação ou o conhecimento do prefeito José Donizete Ferreira de Freitas (PT) no esquema de desvio de recursos públicos identificado pela “Operação Judas” na prefeitura.

Durante o dia, os vereadores ouviram pessoas citadas pelo Ministério Público Estadual na ação judicial sobre o caso.

De acordo com o site Cassilândia News, os vereadores, Luceni Correa afirmou que o ex-secretário de Finanças da cidade, Valdimiro Moreira Cotrim, solicitava a retirada de dinheiro do caixa da prefeitura, em valores variáveis, sendo que ela tinha acesso aos valores através do caixa de Orange Rezende e Silva e de outro servidor identificado como “Dergues”.

A ex-tesoureira confirmou usar lâminas de cheque da prefeitura, e, quando não havia dinheiro em caixa, fazia retiradas em dinheiro do banco.

Ainda segundo a ex-tesoureira, as notas frias cedidas por comerciantes também investigados pelo MPE sempre chegavam a ela prontas e empenhadas por Cotrim.

Donizete Freitas, por sua vez, assinava e entregava “vales” para a depoente, sempre quando recebia dinheiro. E que o prefeito ordenou que ela providenciasse notas para cobrir o caixa, por conta de “vales” do vice-prefeito, Sebastião da Silva (PSB, o “Tião da Marieta”).

O vice-prefeito, conforme depôs Luceni Correa, retirava dinheiro sob o argumento de ser “diferença salarial” e para pagamento de juros de campanha.

Duas empresas foram citadas como fornecedoras de notas para Silva: a Jotan Caça e Pesca e a Comercial Carneiro. Ao final de dezembro, teriam sido contabilizados R$ 276 mil, referentes a vales de Freitas, Silva e Cotrim.

Viagem – A ex-tesoureira relatou ter entregue a uma pessoa chamada Paulo Mariano a quantia de R$ 985, usada para o pagamento de viagem do prefeito de navio, e que Cotrim teria sacado outros R$ 3 mil para despesas de viagem.

Segundo ela, o maior pacote de dinheiro entregue ao prefeito oscilou de R$ 10 mil a R$ 12 mil.

A servidora disse não saber se o prefeito era o mentor do esquema, mas afirmou que “grande parte” da responsabilidade caberia a ele.

Cotrim, outra pessoa responsabilizada por ela, colocava cheques pré-datados no caixa para retirar dinheiro, sendo que as lâminas permaneceriam algum tempo no tesouro municipal.

A emissão de cheques pessoais pelo ex-secretário começou a ser feita quando Freitas proibiu o uso dos vales, como “garantia” nos cofres da tesouraria.

Luceni Correa também ressaltou que, quando identificava irregularidades, questionava o prefeito sobre acordos com o secretário, fato que seria negado por Freitas.