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Aluno especial é aprovado em vestibular em Campo Grande
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Segunda-feira, dia 02 de Janeiro de 2006 às 13:00hs
Enquanto para muitos o ingresso na universidade é uma necessidade profissional, para outros é uma forma de superação e de exemplo de vida. Carlos Eduardo Moreno Bordin, 22, ingressará no curso de administração oferecido por uma universidade particular da Capital. “Também me inscrevi e passei, e pretendo fazer o curso junto com ele”, conta a mãe e também pedagoga, Suelene Moreno. “Não sei se vai dar certo, se ele vai chegar até o fim, mas quero estar com ele seja o resultado que for”.
Carlos é autista e foi diagnosticado quando tinha um ano e quatro meses de idade. Segundo o especialista Ernest Christian Gauderer, em seu livro – “Autismo e outros atrasos do desenvolvimento: guia prático para pais e profissionais” – a doença, de caráter psicológico, se caracteriza pelo retardamento no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida. É “incapacitante” e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida.
Entre os sintomas estão distúrbios no ritmo de aparecimento de habilidades físicas, sociais e lingüísticas; reações anormais às sensações visuais, auditivas, olfativas, gustativas e do tato; fala e linguagem ausentes ou atrasadas; ritmo imaturo da fala, restrita à compreensão de idéias; e relacionamento anormal com os objetivos, eventos e pessoas.
No caso de Carlos, a introspecção e a aparente falta de interesse em se comunicar são mais aparentes, segundo a mãe. No entanto, essa falta de interesse não o deixa de fora do que acontece em sua volta. “Não é sempre, mas, quando ele realmente quer, ele tece vários comentários, principalmente nas propagandas políticas, a partir das falas dos políticos, chega a comentar quem está mentindo, quais propostas são interessantes”, relata.
Carlos sempre estudou em escola pública e concluiu o ensino médio na Escola Estadual Padre Mário Blandino. Por uma opção de Suelene, o jovem não foi matriculado como estudante com necessidades especiais, e sempre contou com acompanhamento familiar e escolar. “Quando soube da doença de meu filho não tinha nenhuma informação sobre ela. Aos 29 anos, ingressei no ensino médio – eu queria saber mais sobre a doença e poder ajudar meu filho”, conta. Em 1992, Suelene entrou para o curso de Pedagogia, e em 2005 concluiu uma pós-graduação em Psicopedagogia. “Foi a partir da doença de meu filho que me interessei em concluir o ensino médio e me profissionalizar”.
Agora, prestes a entrar em um curso universitário, Carlos conta, mais do nunca, com o apoio da mãe. “Quando ele concluiu o ensino médio, me dei por satisfeita, mas teve um dia que nós estávamos assintindo tevê na sala e passou uma propaganda sobre inscrições para o vestibular. Perguntei se ele gostaria de fazer algum curso e, para minha surpresa, ele disse que sim. Agora pretendo acompanhá-lo”.
Filho mais velho dos quatro de Suelene, Carlos vive uma vida normal, apesar das limitações causadas pelo Autismo. O relacionamento familiar é aquele comum em todos os lares. “Eles brincam, brigam como todos os irmãos. Mas procuro sempre, a quem chega em casa, explicar a situação dele”, explica.
Uma das formas buscadas por Suelene de poder ajudar no tratamento do filho, é ter muita paciência, tolerância e sempre incentivar. Para ela, as mães de filhos com necessidades especiais precisam aceitar que essa condição não deve ser um peso, mas uma necessidade de oferecer carinho e atenção redobrada – uma forma de demonstrar que apesar das limitações, o filho é aceito e muito querido.
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